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  • Alimentação vegetariana e macrobiótica

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    As dietas vegetarianas são consideradas pelos seus adeptos mais saudáveis do que as dietas mistas com carne e peixe, e, tam­bém, protectoras (e não favorecedoras) contra as doenças cardiovasculares.
    Os estudos recentes de nutrição e os estudos colaterais de ordem antropológica, arqueológica e de nutrição comparada levam a concluir, porém, que não há base científica nem prática que justifique este critério.
    O homem foi desde sempre um animal omnívoro, nota-se devido a constituição do seu aparelho digestivo, e das cerca de 200 espécies de primatas existentes nenhuma tem alimentação exclusivamente vegetariana ou de produtos animais.
    Mesmo no período da idade da pedra e dos grandes arrefecimentos glacia­res, em que a alimentação passou a ser temporariamente de grande predomínio de produtos animais, como é hoje entre os esquimós, o homem continuou a ser omnívoro, procurando ali­mentos vegetais complementares.

    Os grandes riscos da alimentação moderna nas suas relações com as doenças degenerativas, embora em parte relacionados com produtos animais (consumo excessivo de carne e gorduras satu­radas), dependem muito mais da utilização de produtos vegetais refinados, como açúcar e farinhas brancas, e do baixo consumo de produtos vegetais ricos em amido e fibra. A alimentação exclu­sivamente vegetariana (dietas constituídas por 100 % de vegetais) pode ser perigosa sobretudo para a criança durante o desmame e, depois ao longo de todo o período de crescimento, porque nesta fase da vida há necessidade absoluta de um mínimo de proteínas e gorduras animais, para se poder atingir o nível óptimo de ácidos aminados e ácidos gordos adequados para o metabo­lismo durante o crescimento.

    A falta de vitamina B12 nos produtos vegetais é um risco fundamental para a criança, o mesmo acontecendo para a grávida, a lactante e os idosos.

    Os regimes alimentares vegetarianos utilizam alimentos vege­tais, como o nome indica, e são fundamentalmente de três tipos:

    - baseados apenas no consumo de produtos de origem vegetal (vegetarianos totais ou veganistas);
    - baseados no consumo de produtos vegetais e de leite ou de derivados proteicos de leite (lacto-vegetarianos);
    - baseados no consumo de produtos vegetais, produtos lei­teiros e ovos (lacto-ovo-vegetarianos).

    O seu valor alimentar depende da natureza e quantidade dos produtos utilizados e torna-se cada vez menos restritivo, como fonte dos nutrientes indispensáveis, à medida que aumenta o número e a variedade dos produtos consumidos, e diminui nos indivíduos adultos, em relação à criança, a necessidade de alguns nutrientes de que estes produtos são pobres.
    Quando são utiliza­dos, com os vegetais, leite (alimentos do Grupo I) e ovos, o risco de carência ou de falta intermitente de nutrientes essenciais reduz-se grandemente ou desaparece, na proporção em que estes produtos de origem animal forem suficientes para complementa­rem as deficiências existentes.

    Nas crianças e adolescentes que têm necessidades mais altas e instantes de vários nutrientes essenciais e particularmente de alguns ácidos aminados essenciais, pouca abundantes ou existindo em quantidade desequilibrada nos produtos alimentares de ori­gem vegetal, de vitaminas A, B2 e B12, de cálcio e ferro, as regimes vegetarianos estritos oferecem riscas.
    O mesmo quanto à mulher grávida e à lactante.

    São especialmente de recear, quando usadas demoradamente, as dietas restritivas exageradas, da tipo dos regimes descontínuos, que utilizam um só produto vegetal (frutos ou outros) de cada vez, durante dias, ou de variantes da dieta macrobiótica, coma a de Zen, em que há consumo de poucos produtos seleccionados e de tisanas (diminuindo da dieta 1 à dieta 10), se não se tomam em conta as limitações nutritivas próprias da sua composição.
    A não se corrigirem convenientemente, há perigo para a saúde dos utili­zadores.

    O principal motivo de preocupação a ter com os regimes vege­tarianos é a quantidade das proteínas e a quantidade de vita­mina B2 e B12 levadas pelos alimentos.
    Sabe-se que as proteínas vegetais são de qualidade inferior às dos produtos animais, salvo raríssimas excepções (certos derivados da soja, folhas verdes de couve galega e agrião), e que no caso dos cereais a diferença é acentuada, baixando a seu valor biológico, ou graduação, de 100, para o leite e ovo, e de 90-95, para a carne e peixe, para menos de 80, no trigo, até 50, no milho, o que depende da quantidade e proporção dos 8 ácidos aminados essenciais, no conjunto dos 20 ácidos aminados que constituem as proteínas alimentares.

    As proteínas dos cereais são particularmente pobres em li­sina, enquanto as leguminosas secas, por exemplo, são ricas em lisina, sobretudo a soja, e pobres em metionina, que os cereais contêm em maior quantidade.
    A mistura cereais-leguminosas, feita judiciosamente, leva a combinações alimentares. de valor seme­lhante à dos alimentos animais, no que se refere a proteínas de alta valor biológico, embora a quantidade de proteínas precise de ser maior, pelo que os regimes vegetarianas previamente calcula­dos podem vir a satisfazer todas as necessidades de ácidos ami­nados essenciais do homem, sobretudo do adulto.
    Mas conseguir tais equilíbrios não é nada fácil, na prática corrente, sobretudo no período de crescimento dos indivíduos, em que há ainda que atender ao baixo grau de digestibilidade e de absorção intestinal das proteínas dos alimentos vegetais correntes, em particular das leguminosas secas.

    Outros nutrientes que existem em quantidade baixa em quase todos os alimentos provenientes das plantas são a vitamina B2, cálcio e ferro, ou que não existem, como a vitamina B12, têm que ser procurados noutras fontes alimentares ou por via medicamen­tosa, além da vitamina D, que tem grande importância nas crian­ças não expostas regularmente à luz do sol e também não se encontra nos vegetais.
    Por isso, o leite e os ovos – fornecedores de todos estes nutrientes, bem como de proteínas de alto valor biológico – devem ser considerados indispensáveis nas dietas ve­getarianas das crianças, desde o desmame e ao longo de todo o período de crescimento.

    Estudos muito objectivos têm mostrado que o estado nutri­cional de algumas populações do Mundo que têm apenas alimen­tação vegetariana é excelente no que se refere à saúde geral dos adultos (nas crianças o problema é diferente, havendo muitas doenças e mortalidade infantil alta), o que parece mostrar que depois do crescimento e atingida a idade adulta o consumo de alimentos vegetais, apropriadamente seleccionados, pode manter um estado nutricional adequado.
    Outros estudos conduzidos direc­tamente em indivíduos utilizando qualquer dos três tipos de regimes vegetarianos indicados mostraram que o exame físico e os dados laboratoriais não traduzem deficiências, desde que os regi­mes assegurem a ingestão de todos os nutrientes necessários, e destes sabe-se que a vitamina B12 é inexistente ou muito baixa em todos os regimes vegetarianos «totais», o que explica a fre­quência de anemia macrocítica nos indivíduos exclusivamente vege­tarianos.

    Pode-se acrescentar que a observação do que se passa no Mundo mostra de fornia evidente, embora nada fácil de avaliar concretamente em termos científicos de explicação, que as popu­lações com alimentação vegetariana, total são menos enérgicas e menos avançadas em termos de cultura técnico-científica, capa­cidade de civilização e espírito de iniciativa, do que as populações que adoptaram regimes mistos, com peixe e carne.
    Mas a sua saúde é muito melhor, pelo menos no que diz respeito às novas doenças de tipo degenerativo e por falta de celulose, em particular as doenças do coração e vasos, do aparelho digestivo e tumores, estando praticamente livres delas.

    A combinação dos alimentos vegetais adequados a uma ali­mentação vegetariana total, ou pobre em leite e ovos, precisa de tomar em conta o valor das proteínas dos cereais e leguminosas secas, que são boas fontes de hidratos de carbono, tiamina e alguns oligoelementos, das nozes e amêndoas, fontes de gorduras ricas em ácidos poli-insaturados, e vegetais escuros, fornecedores de caroteno, vitamina C, diversos minerais, incluindo cálcio, além de celulose tenra.
    A forma correcta de como consumir cada um dos alimentos mais indicados para entrar nesta combinação fornece­dora da quantidade desejável, com uma fonte de vitamina B12, que será constituída por alimentos de origem animal ou a própria vitamina comercial, aparece como altamente recomendável, em face dos conhecimentos que há a respeito da sua importância.

    Os regimes vegetarianos, relativamente pobres em gordura natural e sempre pobres em gorduras saturadas, quando conti­verem produtos ricos em amido, açúcar, gorduras refinadas, ou álcool, em quantidade excessiva, comportam-se como os regimes mistos correntes, levando à obesidade e a desequilíbrios metabó­licos semelhantes aos da sobre alimentação.

    Para as folhas verdes, excepto saladas, e para os legumes escuros, que são as principais fontes de caroteno, vitamina B2 e C e de cálcio, a cozedura, sob pressão, pelo vapor ou em pouca água, é a forma mais aconselhável de preparação culinária, por facilitar a abertura das bainhas celulósicas na digestão e a consequente absorção dos nutrientes, ao mesmo tempo que diminui a perda destes por dissolução e oxidação.
    A água de cozedura em que estes possam dissolver-se deve ser sempre aproveitada.

    Dentre os regimes vegetarianos com rótulos mais ou menos publicitários, a macrobiótica tem sido muito vulgarizada ultimamente entre nós.
    A palavra macrobiótica deriva de macro (Grande) e bios (Vida), e significa grande vida, no sentido de que é uma concepção da vida orientada para o equilíbrio e longa duração dos indivíduos como atitude consciente que procura ajudar o organismo a integrar-se no sistema ecológico a que pertence, favorecendo as suas características, naturais de vitalidade.
    O re­gime alimentar aparece na macrobiótica coma parte fundamental dos factores de promoção de vida longa com saúde, sem doenças nem desequilíbrios orgânicos e psíquicos, e corresponde a uma alimentação exclusiva, ou quase exclusiva, de produtos naturais, que são os vegetais silvestres ou cultivados sem adubos, pesticidas e adjuvantes artificiais, e de preferência na região em que as pes­soas vivem.

    Utiliza como alimentos essenciais de base:

    - todos as cereais integrais, sob a forma de grão – com prio­ridade para o arroz – ou de flocos, pastas, farinhas, sêmo­las, pão, :ha proporção de 50-90 % da alimentação diária;

    - sementes de frutos ricas em proteínas;
    - sal marinho natural (não refinado);
    - água natural.

    Utiliza como alimentos complementares:

    - produtos hortícolas seleccionados (folhas, cenoura, raba­netes), legumes (feijão, ervilha, lentilha), ervas silvestres, frutos, principalmente nativas, algas, na proporção de 10­-50% de alimentação diária;
    - temperos preparados segunda técnicas próprias;
    - bebidas, sob a forma de tisanas preparadas com plantas naturais.

    Recomenda limitar a consumo de:

    - leite, queijo e ovos fecundados;
    - frutos e alimentos silvestres não herbáceos;

    Manda eliminar:

    - carne e peixe (especialmente salgadas e em conserva) e gorduras animais;
    - açúcar e todos os produtos açucarados;
    - batata, tomate, beringela, frutos e verduras exóticas.

    A macrobiótica considera essencial equilibrar os efeitos opos­tos que terão os alimentos, de acumulação ou interiorização e de exteriorização ou agressividade, e de que dependeriam pratica­mente todas as doenças nos seres humanos.
    Em consequência, encontram-se graves contradições entre a medicina científica e a macrobiótica, o mesmo se verificando com a ciência da nutrição.

    A preparação dos vegetais, sopas e bebidas é considerada de importância fundamental em macrobiótica e obedece a regras que os praticantes são convidados a conhecer muito bem, para conseguirem a combinação de alimentos e de partes de alimentos recomendada.

    Recapitulando a macrobiótica é baseada num princípio com mais de 5000 anos de existência original do Tibete e da China, inspirando-se numa filosofia primitiva, na ideia de que a Humanidade faz parte do meio ambiente e do cosmos e que a saúde e o raciocínio são um reflexo da nossa apreciação, ligação e intercâmbio com o mundo que nos rodeia.

    Nos finais do séc. XIX um médico do exército japonês, Sagen Ishizuka, que se curou duma doença de rins intratável pela medicina moderna adoptando um regime alimentar baseado em cereais integrais e vegetais, fundou a primeira organização macrobiótica e foi extremamente famoso no Japão nos finais do século XIX e início do século XX.
    Para Ishizuka todos os problemas de saúde e sociais tinham como origem uma má nutrição, particularmente um desequilíbrio entre sódio e potássio nos alimentos e, para ele, todos os problemas podiam ser corrigidos adoptando uma prática alimentar de acordo com a constituição biológica humana, em especial a utilização de cereais integrais e vegetais como alimentos predominantes.

    O trabalho de Ishizuka foi continuado e desenvolvido por George Ohsawa, escritor americano de ascendência nipónica, que acreditou ter sido a alimentação macrobiótica a responsável pela cura da tuberculose de que sofria.
    Nos anos 30 este escritor trouxe os seus ensinamentos para a Europa, em especial para a França e Bélgica. Ohsawa prescrevia segundo a condição individual, pois para ele praticar macrobiótica era comer de acordo com as necessidades em constante mutação de cada um. Nascia assim uma nova era da nutrição, em estreita relação com a filosofia Zen.

    O que é a Macrobiótica?

    A macrobiótica preocupa-se em adequar os alimentos energicamente segundo as necessidades individuais de cada um, tendo em conta a idade, o sexo, a actividade física e o estado de saúde.
    Em todos os alimentos aconselhados o único que é considerado equilibrado é o “Arroz Integral”, que tem energias opostas e equilibradas.

    Ao aderir a esta dieta é suposto evoluir ao longo de sete níveis. Os primeiros níveis para um principiante consistem, basicamente, em eliminar os alimentos Yin e Yang e manter o consumo preferencial de alimentos neutros e intermédios.

    Gradualmente vão-se eliminando também os alimentos intermédios até ser alcançado o nível sete, que consiste em comer apenas Arroz Integral.
    O nível sete é o extremo da macrobiótica, o qual raramente é conseguido, pois apresenta deficiências nutricionais graves podendo causar a morte.

    Pratica-se a macrobiótica a partir de uma disciplina inicial, com o objectivo de proporcionar a cada um através de uma reeducação do organismo, os meios para se libertar dos maus hábitos, vícios e condicionamentos alimentares impostos por uma sociedade consumista, de modo, a alcançar o bem estar físico e psíquico.
    Para ser alcançado o equilíbrio não basta uma preocupação só com os alimentos, mas também com a quantidade de líquidos ingerida que deverá ser em função da sede que se sente, uma vez que um excesso de líquidos conduz a uma maior fadiga e uma sobrecarga nos rins.

    Muito importante para fazer uma correcta alimentação macrobiótico é também a forma como se ingerem os alimentos sendo a mastigação um factor determinante.
    Deve-se mastigar bem os alimentos, 50 vezes se for possível pois deste modo nunca se come em demasia, parando-se naturalmente sem ter ultrapassado as devidas proporções, obtendo-se um melhor sabor e maiores benefícios na digestão, alimentando também o espírito.

    A Macrobiótica é representada por um símbolo que define um estado de equilíbrio onde fica bem claro que nada é 100% Yin ou 100% Yang.

    Segundo a filosofia Macrobiótica é justamente este dinamismo Yin-Yang que nutre o nosso organismo, não as calorias.

    Por ser muito importante para este tipo de dieta todo o equilíbrio, é sugerido o consumo preferencial dos alimentos produzidos de acordo com as estações do ano, para não desestabilizar o equilíbrio da Natureza.

    Os alimentos são também agrupados de acordo com a sua Energia sendo aconselhado o seu consumo de acordo com as necessidades de cada um.

    Alimentos neutros, ou seja, com um bom equilíbrio yin/yang:
    Cereais integrais (arroz, aveia, cevada, milho, centeio, trigo, trigo sarraceno, painço, etc.); sementes (de gergelim ou sésamo, de girassol, de abóbora, linhaça, etc.); legumes.

    Alimentos yin:
    Milho, centeio, aveia, cevada, beringela, tomate, pimento, favas, pepino, espargos, espinafre, alcachofra, abóboras, cogumelos, ervilhas, beterraba, alho, couve-roxa, couve-flor, lentilhas, polvo, pescada, truta, porco, vaca, iogurte, natas, manteiga e margarinas, frutos frescos, mel, açúcares, café, vinho, cerveja, chá verde, tília, hortelã-pimenta, camomila.

    Alimentos yang:
    Arroz, milho-miúdo, trigo, alface, repolho, alho-porro, grão-de-bico, rabanete, nabo, cebola, salsa, cenouras, agrião, linguado, atum, salmão, camarão, sardinhas, pato, peru, ovos, leite, queijos, amêndoa, azeitonas, óleos vegetais não refinados, alecrim, malte, chá mu, vinagre, mostarda, baunilha, açafrão, sal marinho não refinado.

    Alimentos principais:
    Cereais integrais (arroz, trigo, painço, aveia, centeio, cevada).

    Alimentos secundários:
    Chá, sal marinho, legumes , verduras, raízes, frutas, óleos extraídos a frio.

    Alimentos opcionais:
    Peixes, aves e ovos (quanto menos, melhor para a saúde), leite e derivados (preferir os de soja ou cabra).

    Alimentação Macrobiótica Padrão

    50 a 60% da alimentação diária devem consistir de cereais integrais.
    Cereais integrais incluem arroz integral, cevada, millet, aveia, milho, trigo, centeio, trigo sarraceno, cuscuz, bulgur, flocos de aveia, flocos de cevada, carolo de milho, massas, pão, crepes, panquecas, etc.
    Deve dar-se preferência a cereais integrais em grão, em particular se existirem problemas de saúde sérios, uma vez que os cereais sob a forma de farinha são mais difíceis de digerir e as farinhas ao oxidarem perdem muitas das propriedades originais do cereal em grão.
    Sopa deve ser consumida 1 a 2 vezes por dia.

    As sopas são em geral de vegetais mas podem também incluir cereais, leguminosas, algas, peixe. Uma sopa particularmente aconselhada é a sopa de miso ou sopa de pasta de soja, devido aos efeitos benéficos que o miso tem na reconstrução da flora intestinal.

    25 a 35% incluem os mais diversos vegetais (para além dos vegetais utilizados nas sopas).
    Os vegetais devem ser cozinhados de diferentes formas mas é importante que alguns sejam bem cozinhados e outros levemente cozinhados ou consumidos sob a forma de salada crua.
    Vegetais para uso diário incluem cebolas, cenouras, abóbora, brócolos, couve, agrião, nabos, couve de bruxelas, cogumelos, germinados, nabiças entre outros.
    Vegetais como batatas, tomates, beringelas são geralmente desaconselhados ou devem ser utilizados muito ocasionalmente se se gozar de boa saúde.

    10 a 15% da alimentação consistem de leguminosas, derivados das leguminosas e algas.
    As leguminosas incluem grão de bico, lentilhas, feijão azuki, feijão frade, feijão catarino, feijão manteiga e todos os feijões disponíveis nos diversos climas; derivados das leguminosas como tofu, tempeh, natto, seitan (neste caso derivado do trigo mas sendo um alimento com alto teor proteico) podem e devem também ser usadas regularmente.
    As algas foram durante muitos anos utilizadas em diferentes culturas e utilizam-se em pequena quantidade neste regime, cozinhadas em conjunto com os vegetais, leguminosas ou cereais. As algas para uso regular têm nomes como wakame, kombu, aramé, hiziki, nori entre outras.

    Para além dos alimentos mencionados a Alimentação Macrobiótica Padrão inclui em quantidades variáveis os seguintes alimentos:

    Sementes e oleaginosas – Sementes de sésamo, de abóbora, de girassol; amendoins, amêndoas, pinhões e nozes.

    Frutos da estação e da área geográfica em que vivemos – Maçãs, pêras, morangos, castanhas, pêssegos, melão, melancia, uvas, etc.

    Peixe, preferivelmente de carne branca – Pescada, linguado, robalo, cherne, dourada, tamboril entre muitos outros.

    Bebidas diversas, em especial chás tradicionais, cafés de cereais, sumos de vegetais ou de frutos - Se se gozar de boa saúde ou em situações especiais, pequena quantidade de bebidas alcoólicas como cerveja, vinho ou whisky de malte.

    Óleos e temperos – Como óleo de sésamo, de girassol, de milho, azeite e temperos como vinagre de arroz, vinagre de ameixa, gengibre, algumas ervas aromáticas entre outros. Os óleos devem ser de primeira pressão a frio e não extraídos a altas temperaturas com solventes químicos à base de petróleo.

    Condimentos para uso de mesa – Estes devem ser utilizados em quantidades mínimas, são bastante importantes em especial se houver problemas de saúde; os condimentos principais são gomásio (sementes de sésamo com sal), umeboshi (pickle de ameixa), tekka (condimento produzido a partir de diferentes raízes), sementes de sésamo, condimento de cebolinho e muitos outros.

    OS PRINCIPAIS ALIMENTOS MACROBIÓTICOS

    Com a difusão da macrobiótica por todo o mundo, muitos alimentos usados pelos povos antigos foram reintegrados na nossa cultura, sendo muitos deles provenientes da culinária tradicional japonesa o que leva a que seja difícil a sua aquisição em Portugal.

    Abóbora-moranga
    Menor que a abóbora comum, a moranga tem sua energia mais concentrada. Deve ser comida com casca, assim como a maioria dos legumes da alimentação orgânica.

    Açúcar mascavo
    É o açúcar natural, que não passa pelo processo industrial de refinamento. Marrom claro ou escuro, tem o aspecto de rapadura moída.
    Juntamente com o melado, é a melhor opção para substituir o açúcar branco, tratado quimicamente.

    Algas marinhas
    Por assimilar da água do mar grande quantidade de minerais (como iodo, cloreto de sódio, cobre, ferro e zinco), as algas marinhas possuem várias propriedades alimentícias e medicinais.
    São indicadas principalmente para a obesidade provocada pela retenção de líquidos, no tratamento de anemia e na recuperação de pacientes portadores de leucemia. Podem ser ingeridas cruas, cozidas ou fritas, adicionadas a pães, bolos, tortas, cereais cozidos, em forma de pasta ou no chá tradicional.

    Ameixa salgada (umeboshi)
    Uma conserva muito usada no Japão, de onde é importada.
    As ameixas são acondicionadas num barril de madeira, com sal marinho natural, por 3 anos ou mais.

    Arroz integral
    Base da alimentação macrobiótica, este cereal promove a renovação do organismo e fornece diversos tipos de proteínas e vitaminas, entre outros elementos. Existem vários tipos nas casas de produtos naturais, mas o que se aconselha é o de grão mais arredondado, com característica mais Yang que os outros, portanto dotado de maior quantidade de energia.

    Aveia
    A aveia usada na alimentação integral é semelhante à que se encontra nos supermercados, mas nela os adubos químicos e insecticidas não estão presentes.

    Ban-chá
    Usado como digestivo após as refeições, este chá suaviza as portas irritadas do aparelho digestivo e proporcional leveza para os organismos inflamados.
    Deve ser tomado sem açúcar ou outro aditivo, como todos os chás macrobióticos.
    A quantidade ideal no preparo é 1 colher de sopa de erva levemente torrada para 1 litro de água. eio copo após as refeições é o suficiente.

    Bardana
    Esta raiz é muito utilizada pelos macrobióticos como alimento e como remédio. Não é preciso descascá-la para cozinhar.
    Seu chá, feito com 300 gramas de folha para 1 litro de água, é bastante indicado no tratamento das cólicas hepáticas, enfermidades cardíacas, furúnculos, bronquite, cálculo renal, cálculo biliar e afecções da bexiga, além de funcionar como antídoto para o envenenamento por mercúrio metálico e combater os efeitos de agentes poluentes, como o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono.
    O cataplasma da raiz é útil nas contusões, no reumatismo, artrite, impingem, herpes e queda dos cabelos.

    Cevada
    Com cevada natural preparam-se muitos pratos saborosos, que são ensinados em qualquer livro de receitas macrobióticas.
    A cevada torrada, por sua vez, é um óptimo substituto para o café comum.

    Chá de arroz integral
    É preparado com arroz integral torrado e folhas torradas de ban-chá.
    Útil para recuperar as forças perdidas nos exercícios físicos e mentais, é nutritivo e combate a estafa.
    Para 1 litro de água, usa-se 3 colheres de sopa do chá.
    Deve-se tomar meio copo após as refeições principais.

    Dentie
    Trata-se de um dentifrício natural feito à base de berinjela torrada e sal marinho.

    Fécula de araruta
    Extraída da araruta pura, serve para dar consistência a pudins, gelatinas, minguas e cremes. Misturada com shoyu (molho de soja), é um grande remédio contra gripe e infecções da garganta.

    Feijão azuki
    Estes grãos pequenos e vermelhos, têm um grau de fermentação bem inferior ao dos outros feijões.
    É rico em energia, e devido às suas qualidades diuréticas é muito indicado para os diabéticos.
    O modo de preparar é igual ao de qualquer feijão.
    Com os grãos torrados, prepara-se um chá excelentes, próprio para a maioria das doenças metabólicas, além do diabetes.
    Esse chá é depurativo do sangue, elimina o excesso de ácido úrico e tonifica os rins. Também funciona como calmante.
    Para fazer o chá bastam 2 colheres de sopa de grãos crus, que devem ser torrados numa panela.
    Acrescentar 1 litro de água e ferver, até que a água adquira uma cor escura.
    Tomar meio copo após as refeições principais.

    Feijão de soja
    Constitui um dos alimentos mais ricos em proteínas.
    Meio quilo de grãos equivale a 1 quilo de carne, 30 ovos ou 6 litros de leite.
    Sua proteína é a única que combina 10 aminoácidos essenciais, portanto é capaz de estimular o crescimento e a energia no mesmo nível que a proteína animal. A soja também é rica em cálcio, ferro e lecitina.
    O óleo de soja é de fácil digestão, contendo vitaminas A, B, B2, C, D, E e R. No entanto, por ser um alimento extremamente Yin, a soja deve ser consumida com moderação. Essa restrição não cabe aos subprodutos, como o leite, o queijo, o óleo e o shoyu, pois nesses casos as toxinas são eliminadas durante o preparo.

    Gengibre
    O óleo extraído do rizoma constitui óptimo remédio para problemas respiratórios, como catarro, rouquidão, asma e bronquite, devendo ser esfregado no peito.
    O gengibre pode ser usado também como chá.
    Corta-se um tubérculo pequeno em fatias e coloca-se para ferver durante 10 minutos em meio litro de água. A quantidade a ser tomada varia de acordo com o gosto ou a necessidade individual.
    Tem um valor excepcional na atonia estomacal, cólicas, infecções, inflamações, acne, furúnculos e vómitos.

    Ginseng
    Esta raiz medicinal nativa da Mandchúria e da Coreia, que nasce uma vez a cada 7 anos, é um poderoso estimulante, aumentando a resistência física e a capacidade mental.
    Constitui também uma óptima protecção atómica, sendo considerado um rejuvenescedor de todo o sistema orgânico, particularmente das glândulas.

    Leite de cereais
    Esse leite é uma mistura de sete cereais bem moídos, facilmente solúvel em água.
    Pode ser usado por adultos e crianças, puro ou no preparo de outros alimentos.

    Misso
    Molho feito à base de soja amassada, que se mistura a cereais como o trigo, o arroz e cevada, fermentada junto com sal marinho.
    Como todos os alimentos orgânicos, o misso também é antitóxico. Costuma-se utilizá-lo para temperar sopas, cereais e carnes, substituindo o vinagre e a massa de tomate.

    Molho de soja (shoyu)
    Feito à base de soja salgada e fermentada por 6 meses, muito usado como condimento alimentar. Contém vários tipos de aminoácidos e vitaminas.

    Nabo branco comprido
    É um dos remédios mais usados para combater deficiências visuais como a miopia, o estigmatismo, etc.
    A macrobiótica recomenda comer 100 gramas diárias do nabo ralado, cru.
    Com as folhas dele pode-se preparar um banho de assento, muito indicado no combate às infecções genitais, principalmente femininas. É especialmente útil na recuperação pós-parto.

    Óleo de gergelim
    Trata-se de um excelente remédio no combate da gripe e do resfriado, bastando tomar 1 colher de sopa pela manhã, em jejum, e outra antes de dormir.
    Esse óleo também é usado no preparo de um colírio para as inflamações e as irritações da vista.

    Sal marinho
    É o sal natural, que não passa pelos processos industriais.
    Pode ser encontrado sob a forma de cristais grossos ou finos.

    Tahine
    Preparado com sementes de gergelim moídas e prensadas, é um óptimo substituto para a manteiga comum, excelente fonte de proteínas vegetais e um remédio eficaz para a anemia.

    Trigo integral
    Com ele são feitos pães, bolos, tortas, biscoitos e macarrão.
    Possui grande qualidade terapêutica, pois fortifica a flora intestinal e auxilia no funcionamento dos intestinos.

    Trigo mourisco (ou sarraceno)
    É um grão pequeno, esbranquiçado, macio ao mastigar, com o qual podem ser preparados todos os pratos que usam outros tipos de trigo ou farinha de trigo.

    Vantagens e desvantagens da alimentação macrobiótica

    Vantagens

    Ø Reduz o risco de obesidade;
    Ø Reduz o risco de colesterol elevado;
    Ø Reduz o risco de diabetes;
    Ø Ajuda a controlar a tensão arterial;
    Ø Regula o trânsito intestinal;
    Ø Provavelmente previne alguns tipos de cancro.

    Estas vantagens provém do facto de esta ser uma alimentação pobre em calorias, gorduras saturadas e rica em fibras.

    Desvantagens

    Ø Aumenta o risco de anemia;

    Ø Aumenta o risco de osteoporose;
    Ø Em crianças e adolescentes pode provocar atrasos de crescimento, raquitismo e subnutrição;
    Ø Este tipo de dieta não tem em conta a biodisponibilidade dos nutrientes, o que leva à necessidade de complementá-la com diversos suplementos de minerais e de oligoelementos.

    Quando a dieta é levada a um ponto extremo e sem acompanhamento pode ser muito perigoso para a saúde.

    Jacqueline Dias Fernandes – Nutricionista